Índice de desabrigados cresce em São Paulo

Metrópole paulista já conta com a maior porcentagem de desabrigados no Brasil

Com cerca de 60% de pessoas desabrigadas conforme os dados de novembro de 2023 do CadÚnico, a cidade de São Paulo já abriga 62.155 pessoas em situação de rua apresentando um aumento de quase 12% comparado ao mês de julho que registrava 54.812 pessoas desabrigadas, sendo essa a maior quantidade de pessoas vivendo em situação de rua em uma cidade brasileira. Igualmente o Estado de São Paulo teve um aumento exponencial de moradores de rua entre os anos de 2012 e 2023, onde em julho de 2023 o CadÚnico já registrava 91.434 pessoas em situação de rua e em novembro já se tinha o registro de 103.158 pessoas desabrigadas no Estado, tornando o mesmo o estado brasileiro com a maior concentração de desabrigados do Brasil.


Mãe e filha em situação de rua - Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal/William Oliveira

Segundo o Datafolha, atualmente os maiores focos populacionais de moradores de rua na capital se encontram na região central de São Paulo que possui 41% do total de desabrigados. Com foco em locais no bairro da Luz, a Praça da Sé e a Cracolândia, local esse que devido a operações na região levaram esses indivíduos ao bairro Santa Efigênia. No censo realizado em 2021 com a população em situação de rua a subprefeitura da Sé já possuía 40% da população de desabrigados de toda a cidade de São Paulo, contando com registro de 12.851 moradores de rua, tendo uma alta de quase 15% quando comparado ao censo de 2019.

No último censo realizado em 2023 pelo CadÚnico com a população de rua, os principais motivos identificados e que levam essas pessoas a viverem em tais condições, são os problemas familiares (44%), o desemprego (38%) e o uso de entorpecentes (28%) que infelizmente foram agravados devido a pandemia de Covid-19 e também por meio das diversas crises econômicas ocorridas no país. A pesquisa ainda registrou que a maioria da população de rua é do gênero masculino (88%) com a idade de 30 a 49 anos.

"Viemos para cá tem uns 20 anos, procurando uma vida melhor, mas nunca pensei que íamos viver nas ruas, passando fome e frio. Porém hoje penso que só não tive sorte", afirma Romilton, morador de rua que vive na República de São Paulo.

Atualmente a prefeitura já conta com alguns programas governamentais que buscam ajudar a população de rua na sociedade e uma das soluções encontradas pela prefeitura para a diminuição de desabrigados, são os Centro de Acolhida (CA) e os Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centro POP) locais esses que são especializados em uma série de serviços ofertados interinamente para a população de rua, ofertados serviços como a higiene pessoal, alimentação e oportunidades trabalhistas.

Moradias improvisadas por moradores de rua - Imagem: Reprodução/Ronaldo Silva

Porém em alguns destes centros de acolhimento acabam contando com uma superlotação de desabrigados, fazendo com que algumas pessoas continuem residindo na rua devido a esse excesso de moradores de rua, prejudicado Outro fato prejudicial fora a falta de espaço nestes centros são a falta de investimento, com alguns centros contando com condições precárias para prestar o atendimento devido a população de rua.

As Organizações Não Governamentais

Uma outra solução são as Organizações Não Governamentais (ONG) que possuem o intuito de ajudar os moradores de rua e sem fins lucrativos, contando com o apoio da população e de empresas para se sustentarem. Atuando de forma voluntaria e em diversos locais as ONGs realizam mutirões com diversos voluntários do projeto ajudando os moradores de rua fornecendo mantimentos, itens de higiene pessoal, roupas, cobertores e a escuta ativa a população de rua.

Em uma entrevista realizada com Kelvyn Henrique, formado em jornalismo pela Universidade Santa Cecília e que atualmente atua como secretário da ONG “Bem da Madrugada” foi possível obter uma visão mais complexa sobre o tema.

Jornal da Periferia: Como o senhor enxerga a atual situação de moradores de rua na cidade de São Paulo?

Kelvyn Henrique: É uma situação preocupante, na pré-pandemia a maioria das pessoas em situação de rua era composta por homens, o que já era um problema e acabou se agravando, porque muitas famílias acabaram entrando nessa mesma condição.

JF: Acredita que existe a falta de investimentos por parte do governo, para a busca de uma solução?

KH: Sim, é preciso pensar em inciativas que ajudem as pessoas a sair desta condição.

“Afinal ninguém é morador de rua, mas se encontra em situação de rua”

KH: E é preciso que as autoridades e a sociedade como um todo se movimente para ajudá-los.

JF: Ainda é perceptível uma invisibilização por parte da população, referente aos moradores em situação de rua?

KH: Sim, e muita. Infelizmente para muitas pessoas ver pessoas dormindo nas calçadas virou parte da paisagem urbana, principalmente em grandes centros como a capital paulista. Isso preocupa, porque nenhuma pessoa deve se acostumar com a miséria alheia. Ela deve nos incomodar, para que busquemos meios de mudar e também cobrar dos nossos governantes.

JF: Quais seriam os principais motivos para o atual índice de desabrigados?

KH: Existem vários fatores, o vício em drogas e álcool ainda é muito presente, mas o abandono parental também acontece, assim como pessoas que acabam indo para as ruas para fugir de alguma situação de perigo em casa (agressões, preconceito, intolerância). A pandemia também foi uma das principais causas no aumento da população em situação de rua, pois muitos perderam emprego e a situação econômica acabou levando até as ruas.

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