Privatização evidencia impactos e desafios no transporte metropolitano

Somente entre 2023 e maio de 2024, a linha 9-Esmeralda registrou 422 falhas

Não é de hoje que os paulistanos enfrentam dificuldades no transporte sobre trilhos, especialmente após a privatização de algumas linhas da CPTM. Atualmente, algumas linhas do sistema de transporte metropolitano são administradas por meio de concessões, que consistem na autorização dada a uma empresa privada para gerenciar uma linha por um período determinado.


Passageiros na estação Pinheiros da Linha 9-Esmeralda - Imagem: Reprodução/TV Globo/Philipe Guedes

Recentemente, dados em São Paulo indicam que as linhas privatizadas apresentam menos problemas em comparação às linhas concedidas. A Linha 9-Esmeralda, por exemplo, que tem como ponto mais movimentado a estação Pinheiros, com mais de 94 mil passageiros diários, enfrenta sérios desafios relacionados a falhas no sistema de sinalização, resultando em transtornos e atrasos para os usuários. Somente entre 2023 e maio de 2024, a linha registrou 422 falhas, a maioria delas afetando o tráfego de trens.

A Linha Diamante também não escapa das falhas. Com a estação Barra Funda como seu ponto de maior movimentação, transportando mais de 92 mil passageiros por dia, a linha apresenta problemas no sistema elétrico, que frequentemente impede a circulação de trens. Entre 2023 e maio de 2024, a Linha Diamante acumulou 466 falhas, muitas delas relacionadas à falha no fornecimento de energia.


Privatização evidencia impactos e desafios no transporte metropolitano

Em relação à administração das linhas, a ViaMobilidade, responsável pelas linhas 8 e 9 desde a privatização, afirma estar investindo na modernização da infraestrutura e garantindo que suas equipes de manutenção atuem constantemente para reduzir o número de falhas. Contudo, os passageiros ainda enfrentam atrasos, cancelamentos e superlotação. 

A CPTM não respondeu aos nossos questionamentos sobre o assunto.

Comércio ambulante

O transporte metropolitano de São Paulo tem registrado um aumento considerável no número de vendedores ambulantes, especialmente nas estações de metrô. Após o fechamento das portas dos vagões, o que muitos passageiros têm presenciado é o surgimento do chamado "Shopping trem", uma prática onde vendedores ambulantes se arriscam para vender seus produtos entre uma estação e outra, buscando garantir o sustento diário.

Nos últimos anos, o fenômeno tem se intensificando, e uma das principais razões para isso é o aumento do desemprego, que tem forçado muitas pessoas a recorrerem ao comércio informal. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no primeiro trimestre de 2024, o Brasil contava com 8,6 milhões de pessoas sem emprego formal. 

Embora a prática seja proibida por lei, que determina a apreensão da mercadoria e a expulsão do vendedor caso seja flagrado realizando a venda dentro dos vagões, ela continua a ser recorrente no sistema de transporte.

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