Uma retrospectiva de 2024

Mais um ano chega ao fim, e 2024 foi marcado por inúmeros acontecimentos que impactaram profundamente o mundo. Entre momentos controversos e trágicos, alguns eventos se tornaram marcos históricos, deixando uma marca inesquecível na história.

De reviravoltas políticas à perda de figuras icônicas da televisão, 2024 foi um ano repleto de acontecimentos que afetaram toda a sociedade, abrindo novos capítulos na história global. À medida que o ano chega ao fim, é possível perceber como cada um desses eventos moldou o cenário atual.

Uma retrospectiva de 2024 - Imagem: Reprodução/Pixabay

Para relembrar esses momentos, apresento a seguir uma breve retrospectiva dos principais acontecimentos que marcaram o Brasil e o mundo em 2024. Confira:

Campeão! Botafogo volta ao topo


Botafogo campeão - Imagem: Reprodução/AGIF/Thiago Ribeiro

Não poderíamos começar esta retrospectiva sem destacar um marco no futebol: o Botafogo, que se consagrou campeão brasileiro em 2024, encerrando um jejum de quase três décadas. Após 29 anos, o alvinegro voltou ao topo do futebol nacional, conquistando o terceiro título do Campeonato Brasileiro em sua história. O clube já havia sido campeão em 1995 e vencido a Taça Brasil em 1968, competição que foi posteriormente unificada à Série A pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Em 2024, a equipe somou 79 pontos ao longo da temporada, superando o Palmeiras, que ficou seis pontos atrás. Com apenas cinco derrotas em 38 partidas, o time se destacou pela solidez defensiva, sofrendo apenas 29 gols.

Além de garantir uma vaga na Copa Libertadores, o Botafogo reafirmou sua hegemonia no futebol brasileiro. Artur Jorge, o técnico que comandou a equipe, entrou para a história como o terceiro treinador português a conquistar o Brasileirão desde 2019, sucedendo Jorge Jesus e Abel Ferreira. A conquista foi ainda mais especial, pois foi a primeira vez que o Botafogo celebrou um título no seu próprio estádio, o Nilton Santos.

Trump eleito

Donald Trump, 47º presidente dos Estados Unidos  - Imagem: Reprodução/AP/Alex Brandon

Donald Trump, aos 78 anos, reassumiu a presidência dos Estados Unidos, consolidando sua vitória após garantir os 270 votos necessários no Colégio Eleitoral, com a confirmação de sua liderança no estado de Wisconsin. Além disso, ele teve êxito em estados cruciais como Pensilvânia, Carolina do Norte e Geórgia, mantendo uma vantagem considerável em Michigan, Nevada e Arizona. Mesmo antes de Kamala Harris, sua adversária, conceder formalmente a derrota, Trump já havia feito um discurso de vitória na Flórida, onde ressaltou políticas de imigração e a necessidade de unir o país sob o lema "Promessas Feitas, Promessas Cumpridas".

Ao lado de seu vice, JD Vance, o republicano declarou que seu governo iniciaria uma "era de ouro", com foco em curar as feridas da nação e fortalecer as fronteiras. "Vamos consertar nossas fronteiras, restaurar nosso país. Fizemos história, superamos obstáculos. Essa é uma vitória política sem precedentes", afirmou.

Esse retorno à Casa Branca é um feito raro na história dos EUA, com Trump se tornando o segundo presidente a retomar o cargo após uma derrota anterior, o primeiro sendo Grover Cleveland. A posse está marcada para 2025, e o novo Congresso, predominantemente republicano, apoiará sua administração.

No entanto, essa vitória ocorre em um contexto peculiar: Trump se torna o primeiro presidente americano eleito após ser condenado por fraude contábil relacionada aos pagamentos feitos durante a campanha de 2016 para silenciar Stormy Daniels. Além disso, ele ainda enfrenta diversas acusações legais que podem resultar em processos judiciais durante seu mandato.

Morre Silvio Santos, o rei dos domingos

Silvio Santos  - Imagem: Divulgação/SBT/Lourival Ribeiro

Em 17 de agosto, o Brasil um de seus maiores ícones da televisão, Silvio Santos, aos 93 anos. O veterano faleceu em São Paulo, após complicações de uma gripe causada pelo vírus H1N1, enquanto estava internado no Hospital Albert Einstein. Ele deixa seis filhas, que assumem o comando do SBT, a emissora que fundou e transformou em um dos maiores canais de comunicação do país.

Nascido Senor Abravanel em 12 de dezembro de 1930, no Rio de Janeiro, sua trajetória é marcada por uma ascensão surpreendente. Começou sua carreira vendendo capas para Títulos de Eleitor nas ruas do Rio de Janeiro e, com o tempo, passou a atuar como locutor de rádio. Em 1962, iniciou sua jornada na televisão com o programa Vamos Brincar de Forca e, no ano seguinte, estreou o Programa Silvio Santos, que se consolidou como um dos mais longevos da TV brasileira.

Após passar por diversas emissoras, ele fundou a TVS, que mais tarde se tornaria o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). Inaugurado em 1981, o canal rapidamente se consolidou, com produções como Topa Tudo Por Dinheiro e Roda a Roda, que se tornaram marcos na história da televisão nacional.

Além da TV, Silvio diversificou seus negócios, fundando a Jequiti, uma marca de cosméticos que se destacou no mercado, e o Banco PanAmericano, que enfrentou dificuldades e foi vendido em 2011. Apesar disso, sua influência como empresário foi inegável. Em 2013, a Forbes o reconheceu como a primeira celebridade bilionária do Brasil, com uma fortuna estimada em R$2,67 bilhões — valor que, atualmente, é de aproximadamente R$1,6 bilhão.

Silvio Santos será lembrado não apenas pelo seu sucesso financeiro, mas também pela sua habilidade de transformar oportunidades em grandes feitos e pelo legado que deixou, sendo uma das figuras mais importantes da comunicação brasileira. Sua trajetória, que o levou de vendedor de rua a magnata da mídia, é uma das mais impressionantes da história do país.

Tragédias aéreas: o ano que marcou a aviação brasileira

Acidente avião VoePass- Imagem: Reprodução/Arquivo Pessoal/Claudia Vitorino

Em 22 de dezembro, um trágico acidente aéreo em Gramado, no Rio Grande do Sul, resultou na morte de dez pessoas, elevando para 119 o número total de fatalidades em acidentes aéreos no Brasil em 2024, sendo 72 delas registradas apenas nos últimos seis meses. Este evento se tornou o segundo mais devastador do ano, atrás apenas da queda de um avião da VoePass, em Vinhedo, São Paulo, em 9 de agosto, que vitimou todas as 62 pessoas a bordo. Investigações iniciais apontam que uma falha no sistema de antigelo da aeronave pode ter contribuído para a tragédia.

O Brasil enfrentou um aumento preocupante no número de acidentes aéreos fatais neste ano, com 23 ocorrências registradas até o momento, envolvendo tanto aviões quanto helicópteros. O primeiro incidente de 2024 ocorreu em 2 de janeiro, em Capitólio, Minas Gerais, quando um helicóptero caiu no Lago de Furnas, resultando na morte de uma pessoa e ferimentos em outras duas.

As investigações continuam em andamento, com o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) analisando as causas desses incidentes.

"Ainda estou aqui", a produção que conquistou o mundo

Filme retrata o Brasil sob o regime da ditadura militar- Imagem: Divulgação/Sony Pictures 

O filme Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles, se destacou como um grande sucesso de bilheteira no Brasil. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas (Abraplex), o longa atraiu 50.320 espectadores em seu primeiro dia de exibição, gerando uma arrecadação de R$ 1,1 milhão. Esse feito posicionou o filme como líder na lista dos mais assistidos, ultrapassando concorrentes como Venom 3 – A Última Rodada, Operação Natal e Todo Tempo que Temos.

Ambientado no início dos anos 1970, Ainda Estou Aqui retrata o Brasil sob o regime da ditadura militar, com a história da família Paiva. A narrativa segue Eunice Paiva, interpretada por Fernanda Torres e Fernanda Montenegro, que, após o desaparecimento de seu marido, Rubens Paiva, se vê forçada a reconstruir sua vida. O filme destaca a luta de Eunice, que se torna uma ativista pelos direitos humanos, e sua busca incansável por justiça.

Recentemente, a Academia Brasileira de Cinema anunciou uma conquista histórica para o filme, ao escolhê-lo por unanimidade como o representante do Brasil para a disputa ao Oscar 2025, na categoria de Melhor Filme Internacional.

Akira Toriyama, o "pai" de Dragon Ball, morre aos 68 anos


Akira Toriyama - Imagem: Reprodução/Twitter/@diletante36

Em 2024, o mundo se despediu de um dos maiores ícones da cultura pop mundial: Akira Toriyama, autor da lendária franquia Dragon Ball. Toriyama faleceu aos 68 anos, no dia 1° de março, devido a um hematoma subdural agudo, um tipo de sangramento cerebral que ocorre entre o cérebro e o crânio.

Além de Dragon Ball, Toriyama foi responsável por outras obras memoráveis, como Dr. Slump (1980), Cowa! (1998), Kajika (1999), Sand Land (2000) e Neko Majin (2000). No entanto, foi com Dragon Ball, a história do jovem Son Goku e suas aventuras em busca das sete esferas do dragão, que Toriyama alcançou o sucesso mundial e deixou um legado imortal. Sua influência transcendeu gerações, tornando-se um pilar da cultura pop global e inspirando fãs ao redor do mundo.

Os sons de Notre-Dame

Fachada da catedral iluminada - Imagem: Reprodução/AP Photo/Bernat Armangue

Um dos eventos mais emblemáticos deste ano foi o retorno dos sinos do campanário norte da Catedral de Notre-Dame, em Paris, que soaram novamente após mais de cinco anos de silêncio. Este marco simbólico faz parte do processo de reabertura da catedral, após o devastador incêndio de abril de 2019.

Pela primeira vez desde o incêndio, todos os sinos tocaram juntos, acionados por motores. Philippe Jost, diretor do organismo público responsável pela reconstrução, destacou a importância desse momento como uma "etapa bonita e simbólica". O evento representou um avanço significativo na complexa tarefa de restaurar um dos maiores ícones do patrimônio mundial.

Golpe de Estado

Fachada da catedral iluminada - Imagem: Reprodução/Agência Brasil/Valter Campanato

Recentemente, a Polícia Federal (PF) concluiu um longo inquérito que investigava uma organização criminosa acusada de tentar impedir a posse do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva e seu vice, Geraldo Alckmin, no início de 2023. O grupo tinha como objetivo manter Jair Bolsonaro no poder após sua derrota nas eleições de 2022.

O relatório final foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), e entre os principais indiciados estão o ex-presidente Bolsonaro, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos e o deputado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da ABIN, além de outros ex-ministros, oficiais militares e políticos. A investigação também envolveu 29 pessoas acusadas de crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e formação de organização criminosa.

A PF reuniu provas durante quase dois anos de investigação, incluindo colaborações premiadas, que ajudaram a identificar a rede de articulações do grupo. Foram encontrados seis núcleos de atuação, com funções específicas, como desinformação, incitação de militares ao golpe e execução de medidas coercitivas.

Em 7 de dezembro de 2022, ex-comandantes militares foram chamados ao Palácio do Alvorada, onde foi apresentado um documento que sustentava juridicamente a tentativa de golpe. Esse conteúdo foi encontrado no celular de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que assinou um acordo de colaboração premiada.

A PF identificou o general da reserva Walter Souza Braga Netto como um dos arquitetos do golpe. Ele foi preso no Rio de Janeiro, em 14 de janeiro de 2024, e apontado como responsável pelo planejamento estratégico e pela coordenação das ações clandestinas para impedir a posse de Lula e enfraquecer o Judiciário. Entre as ações de Braga Netto, estava o financiamento de manifestações golpistas, com repasses de dinheiro, inclusive dentro de sacolas de vinho.

A prisão de Braga Netto gerou tensões no círculo próximo a Bolsonaro, que, por meio de sua defesa, tentou mudar a narrativa, alegando que, caso o golpe tivesse sido bem-sucedido, seriam os militares, e não Bolsonaro, os beneficiados. Essa postura aumentou as fricções com os militares indiciados, que poderiam recorrer à colaboração premiada, complicando ainda mais a situação do ex-presidente.

A operação que levou à prisão de Braga Netto foi cuidadosamente planejada pela PF. A prisão só aconteceu após a data de 13 de dezembro, para evitar comparações com o AI-5, um marco da ditadura militar, e também para não expor o general à presença de seus familiares, já que ele estava em viagem.

A cadeirada

Datena agride Pablo Marçal durante debate em São Paulo - Imagem: Reprodução/TV Cultura

Para encerrar os acontecimentos que marcaram 2024, não poderíamos deixar de mencionar o episódio que dominou as redes sociais: a icônica cadeirada do candidato à prefeitura de São Paulo José Luiz Datena (PSDB) no também postulante Pablo Marçal (PRTB) durante o debate da TV Cultura.

Tudo começou com uma provocação de Marçal, que questionou Datena sobre quando ele deixaria a disputa eleitoral. Irritado, o apresentador relembrava uma acusação de assédio feita por Marçal, que já havia gerado grande repercussão.

Furioso, Datena afirmou que não havia provas do assédio e fez uma fala agressiva, lembrando que Marçal fora condenado pela Justiça, acusando-o de ser um "bandidinho, ladrãozinho". Nesse momento, Marçal revidou, trazendo à tona um episódio do debate anterior, quando Datena o havia ameaçado fisicamente, dizendo que o apresentador "não era homem nem para fazer isso".

Logo depois do comentário, a tensão escalou rapidamente e, num acesso de raiva, Datena pegou uma cadeira, pertencente à também candidata Marina Helena (Novo), e agrediu Marçal. Imediatamente após a agressão, os seguranças da emissora entraram no palco e um intervalo comercial foi acionado.

Após o intervalo, Leão Serva, que presidia o debate, anunciou a expulsão de Datena, de acordo com as regras do evento, ressaltando que o candidato já havia feito outras declarações inadequadas antes do incidente. Marçal, abalado com o ocorrido, pediu para ser retirado do palco e foi encaminhado ao Hospital Sírio-Libanês.

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