Do Tigrinho ao Timão: influenciador e atacante argentino entram na mira da polícia
Bruno Alexssander Souza da Silva e Juan Martín Lucero são mencionados em inquérito sobre irregularidades no contrato de patrocínio do Corinthians com a Vai de Bet
O influenciador digital Bruno Alexssander Souza da Silva, conhecido como Buzeira, e o atacante argentino Juan Martín Lucero, atualmente no Fortaleza Esporte Clube, foram citados no relatório final de um inquérito que apura possíveis irregularidades no contrato de patrocínio entre o Sport Club Corinthians Paulista e a casa de apostas Vai de Bet, firmado em janeiro de 2024.
É importante frisar que nenhum dos dois foi formalmente indiciado. A citação de seus nomes se deve a transações financeiras com empresas investigadas por suposto envolvimento no desvio de recursos do Corinthians durante o processo de negociação do patrocínio.
A citação de Buzeira
Conhecido por sua proximidade com a diretoria corinthiana liderada pelo agora afastado Augusto Melo, Buzeira foi apontado como presença constante nos bastidores do clube. Registros mostram sua presença em jogos e interação com atletas, como na final do Campeonato Paulista de 2025.
Documentos também revelam vínculos com Augusto Melo, que se tornaram alvos de apuração no caso Vai de Bet. A polícia demonstrou estranheza com o envolvimento de Buzeira nas transações com a empresa Wave, que teria recebido recursos desviados do clube e os repassado à UJ Football, também citada no suposto esquema.
Segundo o relatório, a empresa Buzeira Digital, de propriedade do influenciador, recebeu R$ 230 mil entre julho de 2023 e junho de 2024, pagos por um agropecuarista de Goiás que movimentou R$ 30 milhões no mesmo período. O mesmo agropecuarista repassou R$ 405 mil à Wave.
Além disso, a Buzeira Digital recebeu R$ 97.768 de um promotor de vendas de Vila Velha (ES). No total, a movimentação da empresa no período alcançou R$ 4 milhões.
Um dos pontos mais delicados da investigação envolve a Casal Imports Comercial e Venda, cujos sócios são os influenciadores Chrystian Mateus Dias Ramos e Debora Vitoria Paixão Ramos, conhecidos por promover o chamado “Jogo do Tigrinho”. Segundo a polícia, essa atividade dificulta a rastreabilidade da origem dos valores e permite a legalização aparente de recursos suspeitos.
A Casal Imports movimentou R$ 17 milhões entre janeiro e julho de 2024, dos quais R$ 3.325.489 foram transferidos à Wave em 15 operações distintas. Parte desse valor também foi destinada à Buzeira Digital (R$ 43,6 mil) e diretamente a Buzeira (R$ 11,8 mil).
Tanto Chrystian quanto Débora já haviam sido investigados anteriormente por supostos esquemas ilegais envolvendo jogos de azar. O delegado Tiago Correia, responsável pelo relatório, destaca que a Wave figura no centro das operações financeiras questionáveis:
“É extremamente questionável a presença da WAVE nessas operações financeiras relatadas, principalmente pelo fato de que, como apontado anteriormente, tudo indica que ela ocupa posição central na lavagem de dinheiro do crime organizado.”
A empresa também mantém ligações com a Victory Trading Intermediação de Negócios, que repassou valores significativos à Buzeira Digital. Logo após o fechamento do contrato entre Corinthians e Vai de Bet, em janeiro de 2024, a Wave transferiu mais de R$ 5 milhões para a Victory em ritmo acelerado.
A citação de Lucero
O atacante Juan Martín Lucero é mencionado em razão de uma movimentação considerada “anômala” de R$ 357.305, efetuada em dezembro de 2023 para a Wave. No mesmo mês, o jogador transferiu R$ 130 mil para a Victory Trading.
Embora não haja indícios de que Lucero tenha recebido valores, o fato de ele ter enviado quase meio milhão de reais para empresas envolvidas no escândalo chamou a atenção dos investigadores. A suspeita é de que as empresas estariam usando recursos do futebol para mascarar a verdadeira origem dos valores.
O delegado Tiago Correia afirmou: “Há denúncia de que influenciadores digitais contribuíram com a campanha de Augusto. Buzeira recebeu dinheiro de umas empresas que enviou o dinheiro desviado do Corinthians para a UJ [Football]. Lucero apareceu mandando dinheiro para duas empresas relacionadas na investigação.”
Indiciados no caso
Até agora, cinco pessoas foram formalmente indiciadas:
- Alex Cassundé – suposto intermediário do contrato
- Augusto Melo – presidente afastado do Corinthians
- Marcelo Mariano – ex-dirigente
- Sérgio Moura – ex-dirigente
- Yun Ki Lee – ex-diretor jurídico
Os quatro primeiros enfrentam acusações de associação criminosa, furto qualificado e lavagem de dinheiro. Já Yun Ki Lee foi autuado por omissão imprópria.
As investigações revelaram contradições nos depoimentos sobre os encontros que levaram à contratação da intermediadora do patrocínio, levantando a suspeita de que as conexões entre o clube e as empresas vão além das tratativas oficiais.
Com a conclusão desta fase da apuração, os documentos serão enviados ao Ministério Público Estadual (MPSP), que avaliará o cabimento de ações judiciais contra os envolvidos.

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