De descrente a crente: o relato sincero de uma conversão

Por muito tempo duvidei da existência de Deus, até que algo inesperado quebrou essa descrença e revelou uma graça capaz de alcançar até as almas mais perdidas. Esta é a história de uma jornada marcada por transformação, fé e esperança

“A Conversão de São Paulo” – Luca Giordano (c. 1690) – Imagem: Reprodução

Por muito tempo, neguei a Deus, me considerando ateu e, posteriormente, agnóstico. Houve um período em que me deixei levar pelo mundo e pelo pecado. Meu coração se debatia diante de uma pergunta antiga e profunda: como crer em um Deus que permite coisas tão hediondas? De genocídios a assassinatos, da fome à corrupção, da vida à morte. Onde estava Deus?

Confesso que nunca havia lido a Bíblia até minha conversão. Sabia de algumas histórias — como Daniel e Sansão — pois sempre fui fascinado por mitologias, da grega à nórdica, mas confesso, nunca tive o interesse de ler o Evangelho. Os relatos bíblicos me chamavam atenção, mas soavam como lendas antigas... até que me encontrei com a Palavra viva.

O fato é que pequei — e pequei muito. Cometi erros graves, falhas que, segundo a Lei de Moisés, mereciam a morte (Levítico 20:1-27). Mas após um desses pecados mais profundos, senti algo além da culpa: senti um chamado. Algo me rasgou por dentro, me chamando de volta, o que me fez relembrar todos os meus pecados desde que comecei a me entender como gente. Foi como se Deus, mesmo ofendido, estendesse a mão.

Durante esse tempo, me considerei um hipócrita. Como posso buscar a Deus depois de tudo o que fiz? Depois de desonrá-Lo, de desonrar meus pais, a mim mesmo? Mas mesmo assim, fui em frente. Li a Bíblia com minhas próprias mãos. E confesso: foi como levar um tapa na cara... na alma. Um confronto direto com meus pecados, minhas falhas, minhas máscaras.

Pensei: quem pode me purificar? Quem pode me salvar? E então compreendi: há esperança, graças ao Senhor Jesus Cristo.

Ao chegar ao Novo Testamento, fui atingido por uma verdade desconcertante: Deus se fez carne por nós. Por assassinos, ladrões, mentirosos, adúlteros... por mim. Pela humanidade perdida.

A graça do Evangelho é algo que ultrapassou tudo o que eu imaginava sobre Deus. Fez com que eu compreendesse Suas leis, Sua palavra, Sua visão e, acima de tudo, Sua salvação — profetizada desde o princípio (Gênesis 3:15, Isaías 53, João 1:14).

Um Deus que desce, que se entrega, que é rejeitado por Seu próprio povo — e mesmo assim morre por todos. Eu, que me via como um fariseu, perguntei: Por que Ele me chamaria? Por que me transformaria? Eu, que mereço o inferno... por que fui alcançado?

Hoje entendo: porque Ele quis. Porque Jesus Cristo morreu por mim. Morreu não para condenar o mundo, mas para salvá-lo (João 3:17).

Reconheço que talvez me senti pressionado pela vida, pelo peso dos meus próprios pecados. Mas também sei: Deus já sabia que eu falharia. E ainda assim, me chamou. Eu, que me considero o pior dos pecadores, fui chamado (1 Timóteo 1:15-16).

Sei que ainda peco — e provavelmente ainda pecarei. O espírito quer o bem, mas a carne... talvez minha carne não seja fraca — talvez seja forte demais. Ainda assim, não uso isso como desculpa. Sou humano, falho, mas me recuso a usar minha fraqueza como justificativa para viver no pecado.

E eu sei, com todas as minhas incertezas, que Ele me perdoa apesar de tudo. Confesso que, mesmo depois da conversão, ainda carrego dúvidas, medos, inquietações. Tenho medo da morte. Tenho medo do inferno — pois sei que, por méritos próprios, é isso o que eu mereço. E o céu... ah, o céu... Às vezes acho que jamais poderia alcançá-lo. Mas mesmo assim, confio em Deus. Confio em Cristo.

Entreguei minha vida a Ele. E, mesmo lutando contra o pecado e o mundo que o normaliza, aguardo ansiosamente o retorno do meu Senhor.

Também não me deixo limitar por uma instituição religiosa específica. Já frequentei tanto igrejas protestantes quanto católicas. Hoje, estou vinculado a uma comunidade, mas não é isso que me define. Sou cristão. E isso basta. Pois a graça de Deus não está presa a paredes nem a dogmas humanos — ela é espírito, e Deus é Espírito (João 4:24).

Hoje, consagro minha vida ao Deus vivo. Eu, o pior dos pecadores, ainda assim fui alcançado por um amor imerecido. E aqui faço uma confissão difícil: ainda acho estranho, quase impossível, ver pessoas horríveis sendo tocadas pelo Evangelho. Confesso: me parece hipocrisia. Mas reconheço — isso é graça. E a graça é escandalosa.

Lembro, por exemplo, do caso que chocou o Brasil: a atriz Daniella Perez, filha da autora Glória Perez, assassinada brutalmente por seu colega de elenco, Guilherme de Pádua. Ele foi condenado, preso... e anos depois, afirmou ter se convertido, tornando-se até pastor. Isso me choca. Me revolta. Me confunde.

Mas também me obriga a refletir: se eu, tão pecador, fui alcançado... por que não ele? Será que, como homens, não estamos tentando limitar a misericórdia de Deus à medida do nosso senso de justiça?

Será que não esquecemos que o próprio Deus, no passado, exigia a morte do pecador (Levítico 20), mas hoje exige o arrependimento — pois a morte já foi paga e vencida na cruz por Cristo? Purifique-se no sangue do Cordeiro. Arrependa-se. Viva. (Hebreus 9:14, Atos 2:38, 1 João 1:7)

Afinal, a Bíblia está repleta de exemplos:

  • Moisés: Matou um egípcio ao defender um hebreu (Êxodo 2:11-12), e fugiu com medo. Ainda assim, foi escolhido por Deus para libertar o povo de Israel;
  • Davi: O rei de Israel, adulterou com Bate-Seba e mandou matar seu marido, Urias (2 Samuel 11). Ainda assim, foi chamado homem segundo o coração de Deus;
  • Paulo (Saulo): Perseguia cristãos, consentiu na morte de Estevão, e os arrastava à prisão (Atos 8:1-3; 9:1-5). Mesmo assim, foi alcançado, perdoado e escolhido para ser apóstolo.

De fato, todos falharam gravemente — mas todos foram tocados, perdoados e transformados.

Não aceite julgamentos de pessoas tóxicas e hipócritas, como os fariseus que cercavam Jesus. Eles usavam a lei para oprimir, mas não reconheciam o poder da graça. E essa mesma graça é capaz de limpar qualquer ficha — não pelo mérito do pecador, mas pelo sacrifício do Filho unigênito de Deus (Romanos 5:8, Hebreus 9:14).

Se hoje você ouve esse chamado, não endureça o coração (Hebreus 3:15). Ouça a doce voz do Espírito Santo. Volte. Há esperança. Há vida. Há salvação.

E se algo aprendi nesta caminhada é que: A convicção é a porta da burrice. Quanto mais certeza eu tinha de mim mesmo, mais longe estava da verdade. A sabedoria de Deus escandaliza o homem convicto de si; e só quem se reconhece fraco é que pode ser forte Nele.

E agora te pergunto meu caro leitor: Você ouvirá esse chamado também?

Amém.

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