Saques suspeitos e investigação policial ameaçam permanência de presidente do SPFC

Sob suspeita de irregularidades que envolvem R$ 11 milhões em saques do São Paulo Futebol Clube, o presidente Julio Casares terá seu futuro decidido nesta sexta-feira (16), durante votação de impeachment realizado pelo Conselho Deliberativo do clube

Investigação teve início após uma denúncia anônima - Imagem gerada por IA

O São Paulo Futebol Clube (SPFC) enfrenta um dos momentos mais turbulentos de sua história política e administrativa. Na próxima sexta-feira (16), o Conselho Deliberativo se reúne para votar o pedido de impeachment do presidente Julio Casares. O pleito ocorre sob a sombra de um inquérito da Polícia Civil que investiga um suposto esquema de desvios financeiros e lavagem de dinheiro que pode ter lesado os cofres da instituição.

A investigação, conduzida pelo delegado Tiago Fernando Correia, da 3ª Divisão de Crimes contra a Administração (Dicca), teve início após uma denúncia anônima. Segundo o delegado, o que inicialmente parecia ser uma série de irregularidades administrativas isoladas revelou-se, após análise de contratos e movimentações bancárias, uma "engrenagem delitiva" estruturada.

"Nós recebemos uma denúncia dando conta de que havia uma série de desvios estruturados e sistemáticos no âmbito do São Paulo Futebol Clube", afirmou o delegado.

O ponto central da apuração são 35 saques em espécie, realizados entre 2021 e 2025, que totalizam R$ 11 milhões.

  • "Modus Operandi": Após dois saques iniciais feitos por um ex-funcionário, o clube passou a utilizar uma empresa de transporte de valores (carros-fortes) para retirar dinheiro vivo diretamente na boca do caixa;
  • Pico de Movimentação: O ano de 2024 foi o mais crítico, com 11 retiradas somando R$ 5,2 milhões. Em 2025, os valores já alcançam R$ 1,7 milhão em apenas cinco saques;
  • Dificuldade de Rastreio: Para a polícia, o uso de transportadoras de valores em vez de transferências digitais é uma tática para dificultar o rastreamento do destino final do dinheiro.

Investigados

Além de Casares, outros nomes da alta cúpula e do entorno presidencial aparecem no inquérito:

  • Nelson Marques Ferreira: Ex-diretor-adjunto, é investigado pela criação atípica de cerca de 15 franquias e empresas em shoppings entre 2022 e 2023.
  • Mara Casares: Ex-esposa do presidente e ex-diretora de eventos, Mara se afastou do cargo após denúncias de venda clandestina de camarotes no Morumbi durante grandes shows. Um áudio do ex-diretor Douglas Schwartzmann sugere que o esquema possuía o aval de Mara.
  • Julio Casares: O Coaf identificou depósitos de R$ 1,5 milhão em espécie na conta conjunta que o presidente mantém com a ex-esposa entre 2023 e 2025.

De "Pitbull" a presidente

Julio Casares, 63 anos, construiu carreira como executivo de marketing no SBT e na Record antes de ascender ao poder no Morumbi. Conhecido historicamente como o "pitbull" do ex-presidente Juvenal Juvêncio, Casares foi eleito em 2020 e reeleito em 2023 em um pleito sem oposição.

Embora sua gestão tenha entregue títulos importantes, como a Copa do Brasil (2023) e a Supercopa (2024), o desgaste institucional provocado pelas investigações policiais colocou sua permanência em xeque.

Outro lado



Julio Casares, presidente do São Paulo - Imagem: Reprodução / Joisel Amaral / AGIF

As defesas dos envolvidos negam veementemente qualquer irregularidade:

  • SPFC: Sustenta que não é alvo da investigação, mas sim uma possível vítima. Afirma que os saques em espécie são contabilizados e destinados a despesas operacionais do cotidiano (arbitragem, alimentação e logística).
  • Defesa de Casares: Alega que os depósitos em sua conta pessoal têm origem lícita e lastro em sua longa carreira na iniciativa privada, sem qualquer conexão com os saques do clube.
  • Mara Casares e Douglas Schwartzmann: Afirmam que os áudios foram divulgados fora de contexto e que estão sendo vítimas de um "julgamento antecipado" e de uma campanha difamatória.

Quais são os próximos passos?

A votação de sexta-feira definirá o futuro político do clube. Para que o impeachment seja aprovado, é necessária a maioria absoluta dos votos do Conselho. Caso Casares seja destituído, o clube deverá convocar novas eleições conforme as normas estatutárias. Enquanto isso, a Polícia Civil segue montando o "mosaico" para identificar se o São Paulo foi, de fato, sistematicamente lesado.

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