O dia da verdade: a Justiça divina no retorno de Jesus Cristo

Da infância marcada por dúvidas à maturidade ferida pelo pecado, fui conduzido por uma imagem que antes causava pavor — e hoje anuncia esperança.

Ilustração do capítulo 114 do "Meu Livro de Histórias Bíblicas" (2004) – Imagem: Reprodução / wol.jw.org

Quando eu era mais novo, certa vez meu pai me emprestou um livro que havia recebido de um familiar: Meu Livro de Histórias Bíblicas. Na época, não o li por completo. Mas agora, anos depois, com o coração ferido e redimido, voltei a folhear suas páginas. E, de forma inesperada, reencontrei nelas a criança que fui — assustada, curiosa, faminta por sentido.

Algumas histórias sempre me marcaram: Caim e Abel, Sansão, Daniel entre os leões. Mas havia algo naquele livro que me perturbava profundamente: a imagem do retorno de Jesus Cristo para julgar a Terra e limpar o mundo da maldade.

Lembro como se fosse ontem. Aquela ilustração me paralisava. Eu me via entre os rostos assustados, os pecadores fugindo, os céus se abrindo em juízo. Um trono, relâmpagos, multidões sendo separadas — bons e maus, luz e trevas. A Bíblia nos revela que este julgamento será justo e definitivo, quando o próprio Cristo, o Filho do Homem, se apresentará com poder e majestade para separar as ovelhas dos bodes, simbolizando a separação entre os que viveram na luz e os que escolheram as trevas (Mateus 25:31-33).

Meu coração estremecia diante da ideia de que talvez eu fosse contado entre os maus.

Será que eu seria rejeitado? Será que Jesus olharia para mim e diria: “Não te conheço”? Mas mesmo diante desse temor, as sagradas Escrituras garante que aquele que se arrepende e crê no nome de Jesus não será rejeitado, pois Ele veio buscar e salvar o perdido (Lucas 19:10), estendendo Sua mão misericordiosa a todos que se voltam para Ele  se deseja saber mais sobre essa transformação que marcou minha vida, deixo para você o meu relato de conversão.

Esse medo não ficou apenas na infância. Cresceu comigo. Tornou-se temor da morte, pavor do inferno, desespero de não ser aceito por Deus. E, como tantos, eu me entreguei ao mundo. Quis calar o medo com prazeres passageiros. Afundei. Pequei. Neguei. Mas ainda havia uma voz — fraca, mas viva — que me chamava de volta.

O retorno de Jesus

A Bíblia é clara e poderosa ao descrever como será a volta de Cristo. Não será um evento secreto ou simbólico. Será visível, real, glorioso e inescapável.

“E então verão o Filho do Homem vindo nas nuvens, com grande poder e glória.” (Marcos 13:26)

Não é apenas um ato de condenação, mas também um ato de amor e restauração. A justiça de Deus se manifestará plenamente, pois todo olho O verá, e toda língua confessará Sua soberania (Apocalipse 1:7; Filipenses 2:10-11). O juízo será o momento em que a verdade, que agora se esconde nas sombras, será exposta à luz e a criação será renovada.

Cristo voltará como Juiz — não mais como o Servo sofredor, mas como Rei dos reis, vestido de branco, com os exércitos celestiais atrás d’Ele (Apocalipse 19:11-16). Os justos serão separados dos ímpios como o pastor separa as ovelhas dos bodes (Mateus 25:31-33).

Para os que vivem em Cristo, será dia de alegria eterna. Para os que O rejeitam, será dia de trevas. Ele enxugará dos olhos dos Seus todo pranto, mas julgará com justiça os que escolheram as trevas e a vida em pecado.

Durante muito tempo, essa imagem — a da volta de Jesus — me fez temer a vida e a morte. Me fez temer a mim mesmo. E, com medo, eu corri… mas não para os braços do Pai. Corri para longe, para o mundo, para a ilusão. Vivi como se esse dia jamais chegasse.

Mas Deus, com misericórdia e paciência, não desistiu de mim. Entre quedas e incertezas, encontrei a verdade: o Deus que julga também salva. O Deus que vem com fogo, também estende a mão.

Pois o mesmo Deus que julga com rigor é o Deus que oferece perdão, reconciliação e vida eterna. Na cruz, a justiça e a misericórdia se encontraram, e por isso podemos nos aproximar d’Ele com confiança, sabendo que o juízo também é um chamado à transformação e esperança (Romanos 3:25-26).

“Porque o Senhor mesmo descerá do céu com grande brado, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus; e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro” (1 Tessalonicenses 4:16)

Hoje, conhecendo a cruz, entendo que o mesmo Jesus que virá em glória foi o que morreu por mim em dor. E por isso já não temo como antes. Ainda tremo, sim — mas agora com reverência, não com desespero.

Esse temor reverente não paralisa, mas desperta o coração para viver em santidade, na expectativa alegre do reencontro com o Salvador, que virá não para destruir, mas para redimir e coroar aqueles que O amam

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