Fé, Amor e Verdade: Uma carta aberta ao cristianismo

Esta carta não é um julgamento, mas um convite à reflexão: será que ainda caminhamos nos passos de Jesus — vivendo o amor, a misericórdia e a verdade que Ele ensinou — ou temos erguido muros e fechado as portas que Ele mesmo abriu?

“Jesus Carregando Sua Cruz” – Eustache Le Sueur (c. 1651) – Imagem: Reprodução

A religião sempre foi um tema complexo e muito debatido. Ao longo da história, marcada por perseguições, a religião se tornou algo maior que tudo: um reflexo da esperança de uma vida eterna, chamando não só os maiores pecadores ao arrependimento, mas oferecendo algo maravilhoso e cheio de esperança — a cruz de Cristo. Por relatos históricos, muitos rejeitaram esse caminho no passado, mas hoje podem conhecer a graça do Evangelho.

No momento, sou apenas um estudante universitário, recém-convertido a Cristo. Para escrever esta carta, orei a Deus pedindo luz e discernimento, para que pudesse mostrar algumas falhas humanas sem julgamento.

A mercantilização da fé

Em meus estudos, surgiu-me uma questão: até quando o homem continuará fechando portas e mercantilizando a fé? Jesus, durante seu ministério, nos ensinou:

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela. Porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” — Mateus 7:13-14

Não sou teólogo nem perfeito, mas, como fui tocado pelo amor de Deus, me entristece ver que em meio a tantas vertentes cristãs, a fé muitas vezes se torna apenas um negócio — seja para vender água ungida, santos, pedaços do Calvário, toalhas abençoadas ou até mesmo itens alimentícios. O homem mercantiliza a fé e julga mais do que prega o amor.

Todos pecaram, mas há perdão

A graça do Evangelho é distorcida pela hipocrisia humana. O homem é falho; não existe sequer um homem justo no mundo que não precise da graça de Deus, concedida gratuitamente em Jesus Cristo para a salvação. Como diz a Escritura: “Porque todos pecaram e carecem da glória de Deus.” — Romanos 3:23

Líderes religiosos podem pregar uma coisa e fazer outra. Deus perdoa qualquer pecado, e todos ainda lutam diariamente para serem dEle. É uma luta constante, com quedas e acertos, mas Deus nos aceita totalmente. Pense assim: você pode tropeçar e fugir, mas o Pai corre ao seu encontro, orienta e acolhe. No meio disso, você terá apoio, como o de uma mãe — que podemos comparar à Igreja — mas também poderá enfrentar críticas de um primo cristão hipócrita, que em vez de abrir a porta do arrependimento, pune com palavras duras. Porém, lembre-se da Sagrada Escritura: “Não julgueis, para que não sejais julgados.” — Mateus 7:1

Todos somos falhos, e o pecado é grave, mas todos temos esperança. Com tantas vertentes, pode-se pensar que há uma maneira “certa” de ser, mas isso é um equívoco. A Igreja de Cristo é onde dois ou mais se reúnem em Seu nome; não é a religião que salva, é Jesus. As obras retornam a Deus e para todos; a sociedade tenta normalizar o pecado, esconder transgressões, mas devemos amar o próximo com o amor de Jesus, sem nos tornar como aqueles que nos lideram mal. Como Ele disse aos fariseus:

“Fazei o que eles vos dizem, mas não imiteis as suas ações, porque dizem e não fazem.” — Mateus 23:3

Não é anjo, líder, papa, padre ou pastor que salva; é Jesus. E é o Espírito Santo que nos chama ao arrependimento. Como Paulo nos lembra: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio.” — Gálatas 5:22-23

Diferentes vertentes

Para compreender as diversas vertentes cristãs, é fundamental considerar o contexto histórico e cultural da época em que Deus enviou Jesus. Ele veio a um mundo marcado por injustiças, opressão e pecado, onde a sociedade rejeitava aqueles considerados impuros ou indignos: gentios, prostitutas, adúlteros, pecadores, ladrões, assassinos, entre outros — pessoas cujas ações eram mencionadas e condenadas em passagens de Levítico, Coríntios, Gálatas e Apocalipse.

“Não vim chamar os justos, mas os pecadores ao arrependimento.” — Marcos 2:17

O judaísmo da época possuía uma forte ênfase na Lei, com regras rígidas que muitas vezes afastavam as pessoas de Deus em vez de aproximá-las. Jesus, ao contrário, pregou o amor, a misericórdia e a graça, mostrando que a salvação não está nas regras ou na tradição, mas no coração e na fé. “Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.” — João 1:17

Foi nesse contexto que surgiram diversas expressões da fé cristã ao longo da história, cada uma com sua ênfase teológica e prática. Todas essas vertentes compartilham a missão central de Cristo: levar o amor de Deus a todos, independentemente de seu passado ou de seus erros.

Entre as principais vertentes cristãs estão:

  • Catolicismo Romano: Reconhece a autoridade do Papa e valoriza tradição e sacramentos;
  • Igrejas Ortodoxas: Ortodoxia Oriental e Bizantina, com liturgia rica e ênfase nos sacramentos;
  • Protestantismo: Inclui Luteranos, Calvinistas, Anglicanos, Batistas, Metodistas, Pentecostais e Neopentecostais;
  • Restauracionismo: Igrejas de Cristo, Mórmons, buscando restaurar a Igreja primitiva.
  • Anabatismo: Menonitas, Amish e Hutteritas, enfatizando simplicidade e separação do mundo;
  • Outras vertentes: Quakers, Adventistas do Sétimo Dia, entre outros.

A história da Igreja é marcada por acertos e falhas humanas, mas a Igreja de Cristo é mais profunda que uma instituição: é o corpo vivo de todos os que creem verdadeiramente n’Ele, espalhados pelo mundo. Cada vertente tem seus próprios costumes e interpretações, mas todos podem se reunir no amor de Cristo, que é a verdadeira fé. A inspiração deve vir dos bons líderes que refletem a fé genuína em Deus, e não da vertente ou instituição que seguem.

É interessante observar que todas as religiões cristãs têm algo em comum: a fé é maior que um preço, maior que um homem, maior que você. A mercantilização da fé é um erro. Confesso que passei por isso — durante um período fui ateu e me considerei agnóstico. Rejeitei a Deus, mas Ele me chamou e escolhi voltar porque Ele me escolheu, não eu. Penso na Igreja mais como uma vertente de amor do que apenas uma instituição ou ideia; é um meio de se aproximar de Deus.

Entretanto, muitas igrejas hoje não pregam aquilo que dizem. Distorcem o Evangelho para buscar respostas em seu próprio coração, chamam-se apóstolos, pastores ou padres, mas acabam corrompendo a mensagem concedida IMERECIDAMENTE por Jesus Cristo. Afirmam que quem não está dentro da igreja ou leva uma vida diferente vai para o inferno, desprezam o chamado, rejeitam o amor de Deus e de Jesus, erguem muralhas em vez de abrir portas, geram tristeza e impõem padrões em vez de amar ao próximo.

De fato, todos pecamos e estamos destituídos da glória de Deus. Eu, você, todos somos frutos do pecado original. Mas ao aceitar e confiar nEle, existe esperança. Todo pecado, toda miséria, toda sujeira pode ser perdoada. Arrependa-se e confie, pois na cruz tudo já foi pago.

Não importa sua incredulidade, sua sexualidade, idade, cor ou raça: Ele te aceita. Cada um vai a Deus conforme foi chamado, e o restante é obra do Seu amor e misericórdia, que transforma e renova. Cada ferida, cada marca, um dia pode se tornar sinal de esperança para que outros também O busquem. Afinal, tudo é sobre Ele.

Igrejas podem ajudar no ensino, na comunhão e na caminhada — mas elas não são o caminho, apenas apontam para Ele. Então, não espere encontrar uma igreja 100% perfeita. A única Igreja perfeita será a que Cristo reunirá no fim, sem manchas.

Exortação final

Irmãos, finalizo esta carta com um alerta: busquem a Deus, não aos homens. Busquem a Jesus, não aos líderes. Inspirem-se nos bons pastores e líderes que refletem a fé em Deus, e não na vertente que seguem. A verdadeira fé transforma a vida e conduz ao amor, à graça e à paz em Cristo. 

“A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês.” — 2 Coríntios 13:14. Amém!

Mais Lidas